Justificativa

As mulheres
brasileiras chefiam

40%

dos lares

Constituem

52%

da população

E representam
mais de

40%

da força de trabalho

Uma pesquisa recente, coordenada pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, feita com apoio da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais – FLACSO – e do Instituto Sangari (Mapa da Violência 2012), apontou que o Brasil tem o sétimo maior índice de homicídios de mulheres entre 84 países. De acordo com a pesquisa, a taxa de homicídio no Brasil ficou em torno de 4,4 vítimas para cada 100 mil mulheres. 69% das vítimas femininas atendidas pelo SUS sofreu o ataque em suas próprias casas. As mulheres brasileiras chefiam 40% dos lares, constituem 52% da população e respondem por mais de 40% da força de trabalho formal, o que caracteriza sua importância em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) e sua posição de destaque no desenvolvimento de seus países. Paralela e paradoxalmente a este desempenho vivenciam outra realidade que podemos chamar de “medieval” e que tem na invisibilidade e passividade social uma de suas maiores perversões – a violência contra a mulher. Embora legalmente amparada por Tratados, Declarações, Pactos, Planos de Ação, Convenções Internacionais e Leis que lhe asseguram o direito à cidadania e proteção e, no caso do Brasil, pela Lei Maria da Penha, reconhecidamente um dos mais eficazes instrumentos de combate à violência contra a mulher, as mulheres encontram-se, muitas vezes, envoltas em um manto de silêncio, alimentado, sobretudo, por razões culturais, que ainda legitimam “a posse masculina” da sociedade.

As culturas baseadas em modelos autoritários ou de dominação criaram um repertório de ideias, códigos e estruturas que justificam desigualdades hierárquicas inamovíveis. Nesse contexto as crianças acabam tornando-se as maiores vítimas, porque se defrontam com contradições cotidianas entre amor / ódio, ofensa / submissão, humilhação / perdão, sem saber como lidar com isso. E o silêncio, fruto da anestesia que o sentimento de vergonha impõe e da perda da autoestima, da capacidade criativa e do cuidado de si reforçam essa espécie de paralisia e medo. As vitimas ficam imobilizadas pelo terror constante de “provocar” a violência do agressor. Os educadores que lidam em seu cotidiano com o reflexo ou mesmo com o próprio relato da violência, em especial da violência de gênero, podem observar em sala de aula um dos piores fenômenos que é a banalização dessa violência e os passos preliminares do enraizamento do preconceito contra as mulheres em sua forma mais perversa: na voz das crianças e dos jovens. Prevenir é possível. Por isso a forma como a sociedade educa meninos e meninas – cristalizando ou flexibilizando os papéis de gênero – é um fator determinante para a manutenção ou quebra de valores estereotipados. A escola deve ser o espaço destinado à transformação.