FELIZ 2016! Paz, saúde, amor, igualdade, tolerância e liberdade!

562618-970x600-1“Não se Nasce Mulher. Torna-se Mulher.” (Simone de Beauvoir) 2015 foi um ano bizarro, podemos apostar, para a maioria das pessoas. Mas como todo ano bizarro que termina, deixa na frente uma esteira de esperança. Tudo o que vier só poderá ser melhor. Fazendo uma pequena retrospectiva, para nós, mulheres, além de perdermos algumas valiosas feministas, companheiras e aliadas de luta que se foram deixando sementes de saudades por toda parte, sofremos alguns terríveis retrocessos e outras péssimas confirmações. No entanto, fomos surpreendidas com uma tremenda aposta para o futuro. Dentro das lamentáveis confirmações, a violência contra as mulheres, por exemplo, continuou pontuando alto no ranking e os índices de naturalização da violência nos relacionamentos ainda é alto. Ela continua a ser mais associada à agressões físicas e atitudes violentas como ameaçar, xingar, humilhar, controlar, impedir de sair ou de usar determinada roupa, entre outras, ainda não são, na maioria das vezes, reconhecidas como violência. Para 70% da população, a mulher sofre mais violência dentro de casa do que em espaços públicos no Brasil. Uau! Aí está o problema presente no cotidiano da maior parte dos brasileiros, de todas as classes sociais. Tivemos o reconhecimento da tipificação penal para o crime de feminicidio, assassinato de mulheres pelo fato de serem mulheres. Vitória? De Pirro, pois é o reflexo do alto número de assassinatos de mulheres no Brasil. Entre 2001 a 2011, estima-se que ocorreram mais de 50 mil feminicidios: ou seja, em média, 5.664 mortes de mulheres por causas violentas a cada ano segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Por aqui, as mulheres que são a maioria da população, passaram a viver mais, têm tido menos filhos, ocupam cada vez mais espaço no mercado de trabalho e, atualmente, são responsáveis pelo sustento de 37,3% das famílias. Entre os eleitores, as mulheres também são maioria. Nas eleições de 2014, o Tribunal Superior Eleitoral tinha em seus registros 77.459.424 eleitoras diante de 68.247.598 eleitores do sexo masculino. Na escolaridade elas estão na frente. O número de mulheres consideradas analfabetas teve redução e do total de, aproximadamente, 4,9 milhões de jovens, entre 15 e 17 anos de idade, do ensino médio, a proporção de mulheres é maior – 54,7% – diante de 45,3% de homens. No nível superior completo o número de mulheres que completam a graduação já é, também, percentualmente, maior. Beleza! No entanto, no mais do mesmo, apesar de tudo isso, as mulheres continuam a padecer de uma diferença para menos na remuneração salarial em relação aos homens, para o mesmo cargo e com as mesmas funções. E, como já dito, continuam a sofrer violência doméstica em todas as suas formas. As lutas para afirmar e reafirmar seus direitos mais elementares, como aqueles que dizem respeito às suas escolhas e a seu próprio corpo, são permanentes e as palavras de ordem nos dão, por forças das circunstâncias impostas, a sensação de que voltamos século e meio atrás. Vimos, tristemente, em 2015, uma exacerbação de uma história que queremos interromper. Que queremos jogar no lixo, como o retrocesso, a não garantia de nossos direitos, a violação de nossas conquistas! Fora no lixo. Que tudo isso vá embora com 2015. Mas de 2015 queremos guardar e levar para 2016 e para sempre a “Primavera das Mulheres”. A demonstração da força que jovens mulheres exibiram nos últimos episódios em defesa da democracia, contra o retrocesso, pela conquista e preservação dos direitos das mulheres. Foi a coisa mais linda de se ver e viver! A luta feminista, que nunca deixou de existir, ganhou novas cores, novos tons, mas retomou a defesa do feminismo que se mantém ativo desde séculos. Poderosas, decididas, destemidas, elas ativaram as #AgoraéQueSãoElas – contra o projeto de lei que retrocede o direito ao aborto em caso de estupro; a #PrimeiroAssédio incentivou mulheres a colocar para fora a ferida da violência; elas foram para as ruas se manifestar, levando seus filhos a tiracolo e companheiros parceiros. Encheram as ruas nos últimos acontecimentos em defesa da liberdade, nas cidades do Brasil, com direito a belas performances como a da atriz Luciana Pedroso que, nua, desfilou em frente à Câmara, no Rio de Janeiro, contra o PL 5.069/13 e os estereótipos da beleza feminina. As Mulheres Negras marcharam soberbas sobre Brasília, organizando a I Marcha Nacional de Mulheres Negras, reunindo aproximadamente 50 mil mulheres contra o racismo e pelo bem viver. Foi lindo! E, por fim, mas muito importante, teve o ENEM que trouxe a boa nova de abrir espaço para discutir a discriminação contra as mulheres e relembrar a querida Simone de Beauvoir: “Não se nasce mulher. Torna-se mulher”. E, falando em ENEM, temos que de citar os jovens de São Paulo, que com sua determinação e valentia reverteram uma decisão totalmente sem sentido do governador do estado, em relação ao fechamento de escolas. Foram firmes, maduros na luta e vitoriosos! E é isso aí. Mulheres de todas as raças, etnias, idades, orientação sexual, diferentes segmentos culturais, sociais, educacionais, escolhas profissionais, enfim, de uma gama enorme de diversidade, estão fartas da desigualdade e da violência física ou verbal que ainda assombram suas vidas. E para não dizer que não falamos das flores, vamos pedindo licença às queridas feministas uruguaias, e lançamos mão de sua máxima, para terminar: “ Tirem seus rosários dos nossos ovários.” Comente aqui

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