JUSTIÇA E GÊNERO – BALANÇA?

15 anos após matar a mulher, Simone Maldonado, com sete tiros, o réu confesso e médico Luiz Henrique Semeghini, 57 anos, foi condenado no dia 08/10/2015, pelo júri popular de Fernandópolis(SP) à pena de 16 anos e 04 meses de prisão. Foram 15 horas de julgamento, de um crime acontecido há 15 anos, no dia 15 de outubro de 2000.

O assassino foi condenado por 4 votos a 1, por homicídio qualificado, quer dizer,  sem chance de defesa para a vítima. Bem que a defesa tentou apelar para a surrada e despropositada argumentação – quando se trata de crimes de violência contra as mulheres – de “violenta emoção” do réu confesso, mas, dessa vez, não colou.

Entretanto – justiça sempre tão tardia? – ele vai continuar em liberdade! enquanto sua defesa recorre da sentença (mais uma vez). Como em liberdade ficou em toda a fase do processo. E o advogado do réu, Alberto Zacharias Toron, ainda vai tentar anular o julgamento. Como isso é possível? Com base em que?

Que justiça é essa?Perguntamo-nos quando essas coisas acontecem: terão os senhores advogados filhas mulheres? Netas? Irmãs? Mães? Que razões levam a essa exacerbação do machismo que cega princípios, intuição, lógica, realidade, verdade?

Quando olhamos para trás e rememoramos o caso, a situação fica ainda mais absurda. O assassino era casado com a vítima com quem tinha filhos pequenos, sendo a mais velha de apenas 13 anos. Quer dizer, ao matar Simone condenou os próprios filhos à orfandade, ou seja, à privação do convívio com a mãe. Frio e calculista, ao contrário do que alega sua defesa ao tentar envolvê-lo numa atmosfera de violenta comoção, colocou um travesseiro sobre o corpo de Simone, que já estava deitada, com o provável fim de abafar os tiros e fez sete disparos com um revólver calibre 32: três atingiram o queixo e quatro o estômago da vítima. Simone teve morte instantânea. Mais agravante? A filha de 13 anos estava em casa nesse momento e poderia ter visto tudo!

Motivo? Teoricamente Simone queria separar-se dele que não aceitava o fato.

Após o crime, Semeghini fugiu para Londrina (PR). Retornou a Fernandópolis (SP) em outubro de 2000, ficou 4 meses detido (!!), obteve habeas corpus (!!!) no Tribunal de Justiça. Beneficiado por uma enxurrada de recursos dos seus advogados de defesa e outras artimanhas judiciais Semeghini passou ao largo da prisão.

De adiamento em adiamento, só foi ter um novo julgamento em 2008, condenado a 16 anos e quatro meses de reclusão em regime inicial fechado. Do Fórum seguiu para a cadeia de Estrela d’Oeste. Mas o encarceramento durou apenas 12 dias (pasmem!) devido a um novo habeas corpus do TJ!!!

Desde então, casou-se novamente, atendeu em seu consultório de otorrinolaringologia a todo vapor e coordenou o Centro de Referência em Saúde, da Prefeitura de Fernandópolis.

“Esperamos que o júri aconteça e que haja a condenação. É a única hipótese plausível. Assim poderemos ter paz nas nossas vidas”,  desabafou o irmão de Simone Maldonado, Ralph, antes do último julgamento do dia 08/10images (1).

Esperamos que agora a justiça seja feita, ainda que tardiamente.

A justiça foi decretada e tem que ser cumprida. Não existe criminoso condenado sem pena paga. Isso é impunidade. E chega de impunidade  nos crimes contra as mulheres!

 

 

Comente aqui

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>